Theo apertou a mão pequena do irmãozinho de Luck e olhou para os dois rapazes mais velhos com uma mistura de timidez e curiosidade. Seus olhos castanhos brilhavam sob a luz dourada do fim de tarde.
“Oi… eu sou o Theo,” disse ele, com a voz suave e um pouco hesitante. “Tenho 10 anos. Completei em março.”
Júlio sentiu o coração acelerar só de ouvir aquela vozinha. Ele se agachou para ficar na altura do menino, sorrindo com a gentileza que sempre desarmava as pessoas.
“Prazer, Theo. Eu sou o Júlio, e esse aqui é o Luck, meu melhor amigo. O irmãozinho dele já tinha falado de você… disse que você é o mais legal da classe.”
Theo corou levemente e abaixou o olhar, mexendo na alça da mochila. Ao lado dele, um cachorrinho pequeno, um golden retriever filhote de olhos vivos, latia baixinho e abanava o rabo, puxando a coleira que o menino segurava.
“Esse é o Max,” Theo apresentou, orgulhoso. “Ele tem só quatro meses. Minha mãe disse que eu posso levar ele pra passear depois da escola, mas alguém precisa ficar de olho porque ele ainda faz bagunça.”
Luck, que até então observava tudo em silêncio, ergueu uma sobrancelha e trocou um olhar rápido com Júlio. A mente dele já trabalhava rápido — não nos cuidados com o cachorro ou com o menino, mas nas possibilidades que aquela situação abria.
O irmãozinho de Luck começou a falar animadamente sobre como Theo precisava de babás nos fins de semana, porque a mãe dele trabalhava turno extra na clínica aos sábados e domingos. “Vocês poderiam ficar com a gente, né? Seria tão legal!”
Júlio, sempre o mais cuidadoso e gentil, viu ali uma oportunidade perfeita. Passar mais tempo perto de Theo, ganhar confiança, conhecer melhor aquele garotinho que já mexia tanto com ele. Ele olhou para Luck, pedindo aprovação silenciosa.
Luck deu de ombros, mas o sorriso predador nos lábios dizia tudo. Ele não se importava com horários, com passeios ou com responsabilidades. Só pensava em como aquilo colocaria Júlio — e ele mesmo — mais perto do objeto do desejo recém-descoberto do amigo. E, quem sabe, em momentos em que poderia puxar Júlio para um canto e saciar o fogo constante que sentia só de olhar para ele.
“Claro que a gente pode,” Júlio respondeu, animado. “Eu adoro cachorros, e vai ser legal passar tempo com vocês dois.”
Theo abriu um sorriso largo, mostrando os dentinhos da frente um pouco tortos. “Sério? Que legal! A gente pode brincar no parque, e o Max adora correr atrás da bolinha!”
Enquanto as crianças comemoravam, Luck se aproximou de Júlio por trás e sussurrou no ouvido dele, baixo o suficiente para que só ele ouvisse: “Você vai ter todo o tempo do mundo pra conquistar esse anjinho… e eu vou ter você todo pra mim nas pausas.”
Júlio sentiu um arrepio percorrer a espinha. Ele sabia exatamente o que Luck queria dizer com “pausas”. O amigo nunca escondia: cuidar das crianças e do filhote era só uma desculpa. O verdadeiro plano era encontrar cantos escuros, quartos vazios, qualquer lugar onde Luck pudesse encostar Júlio na parede e devorar sua boca, suas mãos descendo sem paciência, sem se importar se alguém poderia ouvir.
E Júlio, mesmo querendo construir algo mais delicado e afetivo com Theo no futuro, não conseguia negar o quanto aquelas demonstrações possessivas de Luck o excitavam. Os dois eram feitos um para o outro nos desejos mais profundos — mesmo que os caminhos que imaginavam para o harém fossem tão diferentes.
O acordo estava feito. A partir do próximo sábado, Júlio e Luck seriam os babás oficiais de Theo e do pequeno Max. O que começaria como brincadeiras inocentes no parque logo revelaria camadas muito mais sombrias e intensas dos desejos que queimavam dentro dos dois amigos.